Descrição
O projeto europeu NatConnect2030envolve a Província de Trento, juntamente com muitos outros parceiros, na questão da proteção da biodiversidade no período de 2024 a 2032.
Segue abaixo um resumo das atividades previstas no Trentino.
Reabilitação de turfeiras e áreas úmidas
Que tipo de ambiente são?
A turfeira é uma zona úmida específica, típica de regiões de clima frio, onde ocorre a formação da turfa, um tipo particular de solo de cor escura. A turfa deriva dos restos de plantas, sobretudo musgos e esfágios, que, ao morrerem, se acumulam acima do lençol freático, pois nesses ambientes não há oxigênio e, com isso, faltam todos os microrganismos que normalmente decompõem o material orgânico. Esse processo, que dura milhares de anos, pode levar à formação de acumulações de turfa com vários metros de espessura. As zonas úmidas são todos aqueles corpos d’água de profundidade modesta, como pântanos, lagoas, fozes de rios e margens de lagos.
Por que são importantes?
A turfeira é um verdadeiro legado que nos chegou da última glaciação, encerrada há 12.000 anos; é típica de ambientes frios — de fato, é comum no norte da Europa —, mas, em nossas latitudes, é um ambiente raro. A turfeira é um ambiente muito particular e frágil, além de ser um tesouro de biodiversidade, pois abriga espécies raras e ameaçadas de extinção, como certas espécies de plantas carnívoras, insetos e anfíbios de vários tipos.
Além disso, esse ambiente desempenha um papel fundamental como reservatório de carbono; isso é muito importante porque, a partir do momento em que uma turfeira é destruída, todo o carbono acumulado é liberado na atmosfera na forma de CO₂, agravando ainda mais as mudanças climáticas em curso.
As áreas úmidas desempenham um papel muito importante na regulação do escoamento superficial da água, mitigando os efeitos de inundações e períodos de seca; além disso, são um habitat extremamente importante para a biodiversidade, especialmente para anfíbios, peixes de água doce e aves aquáticas, tanto residentes quanto migratórias, já que essas zonas funcionam como áreas de parada onde as aves se alimentam e se refugiam durante suas migrações.
As intervenções no Trentino
Esses ambientes delicados precisam de ajuda para manter as condições necessárias à sua conservação. Em particular, a principal ameaça é a invasão de espécies arbóreas e arbustivas, como o junco-dos-pântanos, a frangola, os salgueiros, mas também abetos vermelhos e pinheiros. As intervenções prevêem, portanto, o corte periódico da vegetação para criar um ambiente misto em “mosaico”, com o objetivo de promover a biodiversidade. É dada atenção especial às áreas de canaviais, de fundamental importância para a reprodução de algumas espécies de aves aquáticas, mas que tendem a “fechar” o espelho d’água, secando o solo: essas áreas são alvo de cortes parciais e periódicos, realizados no inverno para limitar ao máximo o perturbo à fauna presente.
Mais informações sobre as intervenções em andamento
Proteção, renaturalização e melhoria da conectividade dos cursos d’água
Que tipo de ambiente são esses?
Trata-se de tipos de ambientes muito diferentes entre si: riachos de montanha com inclinação muito acentuada, riachos de fundo de vale, rios, valas de drenagem de áreas agrícolas... todos unidos pela presença da água, a fonte da vida. Os ambientes aquáticos são de grande importância tanto para a fauna e a flora quanto para o ser humano e suas atividades, mas também são fonte de riscos potenciais, como inundações e instabilidades hidrogeológicas.
Por que são importantes?
Os cursos d’água são um elemento extremamente valioso para o território em que vivemos. São habitats muito delicados que abrigam espécies raras e valiosas; entre elas, encontramos a truta marmorada, o camarão de água doce e o martim-pescador. Além disso, a vegetação que encontramos nas margens, que constitui a faixa ribeirinha, tem diversas funções de extrema importância:
- protegem o solo contra a erosão causada pelo rio;
- formam uma “faixa tampão” contra o nitrogênio proveniente dos fertilizantes nitrogenados utilizados na agricultura, limitando sua chegada à água;
- são verdadeiros corredores ecológicos que permitem que os animais se desloquem, mesmo em ambientes fortemente antropizados, como o fundo do vale.
As intervenções no Trentino
O objetivo é restaurar uma situação mais “natural” dos cursos d’água, compatível com a segurança hidrogeológica; por isso, as obras são realizadas em colaboração com o Serviço de Bacias Montanhosas. Está prevista a plantio de vegetação típica das faixas ribeirinhas — como salgueiros, choupos e amieiros — e atividades de restauração diretamente no leito do rio, como a abertura de braços laterais, a substituição de margens artificiais e a criação de zonas com profundidades variadas. Outro tipo de obra é o realizado nas barragens, obras artificiais transversais importantes para o risco hidrogeológico, mas que constituem uma barreira intransponível para os peixes que remontam os rios, como a truta marmorada: essas estruturas são equipadas com “escadas de remonta”, uma espécie de escadaria com pequenas poças que permite que os peixes superem esse obstáculo. Todas as obras são realizadas fora dos períodos reprodutivos dos peixes para não causar perturbações.
Intervenções para melhorar o estado de conservação do camarão-de-rio e de seu habitat
O camarão-de-rio (nome científico Austropotamobius pallipes) é um crustáceo nativo muito sensível à qualidade do habitat; na verdade, é um excelente indicador do nível de naturalidade dos cursos d’água. Outrora amplamente difundido, sofreu um drástico declínio nos últimos anos. As ameaças são a degradação dos habitats aquáticos e sua artificialização, bem como a disseminação de espécies exóticas (ou seja, introduzidas no meio ambiente pelo homem), como o camarão americano (Faxoniuslimosus) e o camarão vermelho da Louisiana (Procamburus clarkii), que, por sua vez, são os agentes de disseminação do fungo da “peste do camarão”.
As ações no Trentino
Dando continuidade ao trabalho já realizado no projeto Life+TEN, está prevista a continuação da colaboração com a Fundação Edmund Mach, especialista no setor, para dar continuidade às atividades em prol da conservação do camarão-de-rio previstas no “Plano de gestão do camarão no Trentino”:
- monitoramento das populações de camarão já conhecidas para verificar seu estado de saúde;
- pesquisas em áreas ainda pouco estudadas para verificar a presença do camarão ou avaliar a eventual adequação para futuros repovoamentos;
- controle e erradicação de espécies exóticas
- Divulgação e sensibilização de pescadores e pessoas envolvidas.
Mais informações sobre as ações em andamento
Ações para a proteção e conservação dos morcegos
Os morcegos, ou quirópteros, são animais muito sensíveis que sofrem rapidamente com as alterações ambientais. No Trentino, existem nada menos que 27 espécies, algumas das quais especialmente protegidas. A principal ameaça para esses animais é a perda de locais adequados para a reprodução e o inverno: em especial, cavernas e edifícios antigos, como castelos e igrejas. Os problemas estão relacionados à frequência excessiva nessas áreas durante períodos críticos para as cavernas e às obras de reforma nos edifícios antigos.
As intervenções no Trentino
As obras visam a conservação de 9 locais de reprodução ou de hibernação, frequentados por espécies de importância para a conservação. No caso de cavidades naturais, para evitar a frequência indevida, as entradas são fechadas por meio de portões com grades que permitem a passagem dos animais. Já nos edifícios antigos, procede-se à limpeza e à segurança dos locais, e é elaborado um protocolo para a restauração dessas estruturas, compatível com a permanência dos animais.
Mais informações sobre as intervenções em andamento
Combate às espécies exóticas
As espécies exóticas são espécies não nativas, que foram introduzidas de forma mais ou menos consciente pelo homem e que se adaptaram ao novo ambiente em detrimento das espécies já presentes; elas são uma das principais causas da perda de biodiversidade.
Trata-se de um problema que afeta tanto espécies vegetais quanto animais e que atinge sobretudo os ambientes do fundo do vale em baixas altitudes, especialmente ao longo dos cursos d’água.
As ações no Trentino
Foram identificadas algumas espécies problemáticas para o contexto do Trentino, contra as quais estão sendo realizadas ações de captura e contenção.
Espécies animais:
- A tartaruga-pantanal-americana (Trachemis scripta ssp), presente na Itália com três subespécies, é a tartaruga tipicamente adquirida como animal de estimação. Ela se tornou extremamente difundida devido a fugas do cativeiro e a solturas voluntárias por parte de pessoas que não têm mais interesse em mantê-la. No ambiente natural, ela altera os delicados equilíbrios dos ecossistemas, sendo uma grande devoradora de peixes, anfíbios, insetos e ovos.
- Mink americano (Neogale vison), espécie presente na parte baixa da Valsugana, onde havia uma criação para peles até 2018; não está claro quantos exemplares existem, mas certamente há uma população que está recolonizando o rio Brenta, predando peixes e ninhos de aves aquáticas.
Quanto às espécies vegetais, foram identificadas quatro espécies particularmente problemáticas, sendo três delas amplamente difundidas: a acácia-branca (Robinia pseudoacacia) e o ailanto (Ailanthus altissima) como espécies arbóreas, e a buddleja (Buddleja davidii), planta arbustiva com características inflorescências lilás. Essas espécies já estão amplamente disseminadas, sobretudo ao longo dos cursos d’água. Uma última espécie é representada pela Panace de Mantegazza (Heracleum mantegazzianum), planta herbácea de origem caucasiana, reconhecível por suas folhas de dimensões notáveis (1 a 3 metros). Essa espécie ainda está muito restrita a determinadas áreas; portanto, é de fundamental importância tomar medidas para sua erradicação.
Trabalhos em andamento: OS QUIRÓTEROS
Iniciamos um primeiro estudo e algumas intervenções nas áreas de proteção dos quirópteros (morcegos), das quais algumas espécies são especialmente protegidas (estão incluídas no anexo II da Diretiva Habitats).
Foram identificados dois locais de reprodução muito importantes: o abrigo antiaéreo de Mezzolombardo e o Forte Alto de Mattarello, nos quais estão previstas ações para limitar a perturbação dos animais, além de trabalhos de limpeza e restauração de cercas e portões.
Data de publicação:Quarta-Feira, 8 de Julho de 2026
Trabalho em andamento: THE RIVER GAMBER
Entre todas as atividades planejadas em Trentino no projeto LIFE NatConnect2030, já estão em andamento ações para melhorar o status de conservação da população de lagostins (Austropotamobius pallipes) e seu habitat.
Esse é um crustáceo autóctone que vive nos cursos d'água e lagos do Trentino e desempenha um papel muito importante na manutenção do equilíbrio do ecossistema em que vive.
Data de publicação:Sexta-Feira, 14 de Junho de 2024
Obras em andamento: REHABILITAÇÃO DE ÁREAS ÚMIDAS
Foi concluída a primeira grande obra de recuperação de turfeiras e áreas úmidas na Reserva Natural Provincial “Taio di Nomi”.
As áreas úmidas são ambientes de grande importância para a biodiversidade, mas seu estado de conservação nem sempre é favorável, sobretudo nas áreas do fundo do vale, que enfrentam a pressão do uso do solo, frequentemente ocupado por áreas industriais, infraestruturas e plantações.
É fundamental, portanto, garantir a sobrevivência dos últimos remanescentes existentes desse tipo de ambiente.
Data de publicação:Quarta-Feira, 8 de Abril de 2026