Descrição
O biótopo está inserido em uma paisagem agradável e pitoresca, cujas linhas suaves são o resultado da ação modeladora das geleiras do período quaternário, que terminou há cerca de 15.000 anos. A geleira, que ocupava todo o vale, suavizou as encostas e esvaziou o fundo, criando assim a depressão que abriga o Lago Serraia.
O biótopo apresenta uma notável variedade ambiental, devido aos diferentes graus de umidade do solo nas diversas porções da área.
Talvez o setor mais importante da área protegida seja a margem do lago com a porção de água à sua frente.
A margem é margeada por uma faixa de canavial, vegetação densa composta de junco d'água (Phragmites australis), uma grama que cresce onde a água tem apenas alguns decímetros de profundidade, mas também em terra seca, desde que o solo esteja encharcado.
O matagal de cana é o ambiente de nidificação de várias espécies de aves aquáticas, cuja presença confere considerável interesse faunístico ao biótopo, um interesse ainda maior devido à alta altitude da área protegida, quase 1.000 metros, o que é incomum para essa fauna. As espécies mais facilmente observadas são o pato-real (Anas platyrhynchos), o galeirão (Fulica atra) e o raro mergulhão-de-crista (Podiceps cristatus). Na primavera e no outono, essa área tranquila do lago oferece descanso e refúgio para espécies que passam durante a migração.
A parte restante da área protegida consiste em um mosaico de prados pantanosos mais ou menos invadidos por junco d'água, alternando com pequenas áreas com arbustos de salgueiro (Salix, várias espécies), moitas e fileiras de amieiro preto (Alnus glutinosa) e amieiro branco (Alnus incana).
Esse mosaico ambiental representa uma situação extremamente favorável para a fauna, pois oferece várias possibilidades de alimentação e reprodução para muitos animais.
Até não muitas décadas atrás, os prados úmidos eram parcialmente ocupados por plantações, principalmente de repolho e batata, que foram abandonadas devido à baixa produtividade; até hoje, uma série de linhas regulares ainda pode ser reconhecida no solo, atestando a presença das antigas plantações. A natureza rapidamente recuperou seus territórios e as plantas típicas de áreas pantanosas voltaram a ocupar a bacia; entre elas, as mais comuns são os juncos (Carex, várias espécies), que geralmente crescem em grandes tufos.
Os cursos de água que atravessam o biótopo também são muito interessantes, incluindo um dos principais afluentes do lago. Eles são um receptáculo para vários tipos de plantas aquáticas, como a vistosa mazzasorda (Typha latifolia), e abrigam uma rica fauna de invertebrados, incluindo o lagostim (Austropotamobius pallipes). Na primavera, esses cursos d'água, nas seções de baixa correnteza, são frequentados pelo sapo (Bufo bufo) e pela rã da montanha (Rana temporaria), que vêm das florestas próximas para acasalar e botar seus ovos.